22 março, 2014

Primavera e uma pizza

Acho que não provei nunca umas pizzas melhores que as pizzas da Casavostra. De massa muito fina e estaladiça sempre com ingredientes frescos e de óptima qualidade.

Com a chegada da Primavera e um jantar no restaurante Casavostra em Almancil, para além da pizza houve ainda oportunidade para provar um prato de Fagotini, pasta fresca recheada com ricotta e pêra. Estava óptima, muito sabororosa, tanto a pasta como o recheio e o molho, uma surpresa muito agradável.

Casavostra
A. 5 de Outubro, 302, Almancil
Aberto todos os dias das 12:00 às 24:00

16 março, 2014

Almoço na Taberna

Já estava para ir à Taberna da Rua das Flores quase desde a sua abertura mas com a visita sempre adiada foi agora, perto do seu segundo aniversário que pude avaliar por mim as óptimas críticas que venho lendo sobre este espaço.
Avaliei e confirmei! A oferta bem portuguesa é apresentada num quadro junto à porta: duas entradas, uma delas sopa e quatro pratos. 
Eramos três e com a ideia de "petiscar" pedimos as duas entradas: "soupa de couve roxa" e "queijo fresco de ovelha com pimenta da terra" seguidas do "Sável com açorda de ovas" e da "1/2 desfeita de bacalhau".
Tudo estava óptimo, pratos tradicionais muito bem confeccionados em doses bem generosas.
Para beber, Sovina Helles e como uma sobremesa sabe sempre bem, uma fatia de bolo de chocolate deliciosa.


Taberna Da Rua das Flores
Rua das Flores 103, Lisboa
2ª a 6ª das 12h00 às 24h00 e Sábados das 18h00 às 24h00

11 março, 2014

City Break na Invicta

Recentemente eleita, pela segunda vez, como o Melhor Destino para 2014 pela European Consumers Choice, a cidade do Porto é um destino a não perder!

Passei recentemente dois dias na Invicta, permitindo-me vaguear pelas ruas de uma cidade cada vez mais movimentada e conhecer algumas das novidades gastronómicas, numa cidade que aposta cada vez mais no conceito de "petiscos" com bases bem tradicionais.
À chegada, um almoço tardio na Casa de Santo António, uma casa de petiscos portugueses bem localizada perto dos Clérigos. Com uma excelente relação qualidade preço, onde os petiscos variam e são apresentados num quadro de ardósia, provei a "salada de cenoura", a "punheta de bacalhau", as "pataniscas de bacalhau", os "peixinhos da horta" e o "bacalhau com natas". Com doses pequenas, estilo tapas, é o local ideal para uma refeição descontraída onde se partilham as opções escolhidas.


Almada Minha é um projecto novo de um casal onde as bolachas são as principais intervenientes no negócio. Com uma variedade considerável de bolachas entre doces e salgadas e uma lista de chás, revelou-se um óptimo abrigo da chuva com um lanche bem aconchegante.

Era uma vez em Paris foi uma surpresa muito agradável! Este é um bar localizado em plena zona de bares na Rua Galeria de Paris com uma decoração e ambiente lembrando Paris dos anos 20. 
Apesar de bar foi ao almoço que o conheci. Têm disponivel um menu de almoço que inclui uma sandes à escolha, bebida, sobremesa e café. Vale a pena a visita.

Ainda antes da despedida houve tempo para uma degustação de cervejas artesanais minhotas, a Cerveja Letra, na Saboriccia da rua de Santa Catarina, uma loja dedicada ao comércio de produtos regionais do Norte de Portugal. Com uma grande variedade de produtos que incluem frutas e legumes frescos, queijos e enchidos, pão, cervejas artesanais, vinho, chás, biscoitos, compotas, conservas, entre outras coisas, foi uma loja que gostei muito, não só pela variedade e qualidade de produtos como também pela simpatia do pessoal. 
Sobre a cerveja também só tenho a dizer coisas boas. Apesar de não ser grande fã desta bebida achei agradável e é interessante o aparecimento de algumas marcas de cervejas artesanais produzidas em Portugal.

Casa Santo António
Rua S. Bento da Vitória nº80, Porto

Almada Minha
Rua do Almada, 291, Porto

Era uma vez em Paris
R. Galeria de Paris, n.º 106-108, Porto

06 março, 2014

Biológico em Lisboa

Segundo a Agrobio - Associação Portuguesa de Agricultura Biológica - existem 12 razões para preferir o biológico: valor nutritivo, sabor, saúde, solo fértil, água pura, biodiversidade, certificação, mundo rural, dignidade do agricultor, educação, emprego e futuro. 
Acredito em todos estes valores e por todas as razões acredito principalmente que os produtos biológicos poderão ser um futuro a preservar pela sua inovação aliada ao respeito pela natureza, biodiversidade e sazonalidade.
Infelizmente têm ainda um alcance dificultado em muitos locais do país apesar do aumento da preocupação com estas questões tanto a nível ambiental como de saúde.
Contrariamente, em Lisboa existe já uma oferta considerável de locais onde poderão ser adquiridos.
É de referir dois importantes supermercados totalmente biológicos, o Brio e Miosótis, ambos apresentando todo o tipo de produtos desde os frescos aos secos. Gosto sempre de visitar a Miosótis e descobrir produtos interessantes, saborosos e de elevado valor nutricional adequados a experiências culinárias.

Rebentos Cress Roxa - Miosótis

Também no Mercado da Ribeira existe a possibilidade de adquirir biológico com a loja da Herdade do Freixo do Meio aí localizada onde se podem encontrar produtos produzidos na Herdade.

Selecção de vegetais - Brio e Herdade do Freixo do Meio

O Mercado do Principe Real é talvez o mais importante ponto de encontro biológico de toda a região. Realiza-se aos Sábados das 8h às 14h e tem uma elevada afluência tanto de clientes como produtores. 
Também o Mercado Agrobio realizado no Campo Pequeno todos os Sábados das 9h às 14h.



Existem muitos outros locais em Lisboa onde se poderão encontrar produtos biológicos. Apenas referi aqueles que visitei.

04 março, 2014

City break na capital

Lisboa é uma cidade em constante crescimento gastronómico com várias novidades no campo da restauração a acompanhar o movimento turístico.
Um city break em Lisboa possibilitou uma visita a algumas dessas novidades.

O Prego da Peixaria foi uma agradável surpresa, com um ambiente descontraído e uma oferta interessante que foge um pouco à moda das hamburguerias. Da carta constam 7 pregos, 4 opções fora dos pregos, 2 tipos de batatas fritas, as Marilyn Monroe e as Chips de Batata Doce e 4 sobremesas. A minha escolha recaíu sobre o Burguer de Salmão e Choco, com algas em bolo do caco de tinta de choco e umas Chips. O Burguer muito saboroso e com uma boa conjugação de sabores. Nas sobremesas fui surpreendida pela originalidade na escolha de um shot de cerveja para acompanhar uma queijada, o que se revelou uma interessante combinação, ao contrário das minhas expectativas.

Outra novidade é o renovado Mercado de Campo de Ourique, um projecto que parece ter trazido vida a este bairro. No mesmo espaço estão dispostas 16 tasquinhas gourmet que interagem com as bancas tradicionais do mercado. Entre as tasquinhas gourmet destaque para Atalho, uma das mais concorridas, a Frigideira de Bairro, um conceito desenvolvido pelo mesmo grupo do Prego da Peixaria e o 2 à Esquina, que apresenta uma grande variedade de petiscos bem portugueses. Com uma grande afluência de clientes, a oferta abrange todos os gostos e é o espaço ideal para um almoço tardio, uma bebida ao final do dia ou um jantar diferente.

Apesar de já ter conhecido a Pekaria 100 Maneiras, a padaria do Chef Lujbomir Stanisic, junto ao seu restaurante Bistro 100 Maneiras, aproveitei a oportunidade para um almoço diferente onde provei algumas das iguarias disponíveis: empada de caça, burek de espinafres e queijo e bola de carnes e queijo. Foi pena não estar disponível a sandes de cabrito assado que provei na última visita e que achei óptima.

Rua da Escola Politécnica, nº 40, Lisboa 

Rua Coelho da Rocha, Lisboa

Pekaria 100 Maneiras
Largo da Trindade, 9 Lisboa

09 fevereiro, 2014

Quando chove lá fora


E de dentro do baú saiu este texto...
 
"É Inverno, o dia está cinzento e chuvoso, e como qualquer domingo que se preze em minha casa, as refeições fazem-se tarde, respeitando um despertar tardio e uma moleza generalizada característica do fim-de-semana. São normalmente refeições de elaboração demorada, com recurso muitas vezes a receitas novas devido ao gosto pela culinária e por novos sabores ou combinações de sabores.
Desta vez a receita não era nova, bem velhinha até...Papas de milho ou, como é talvez mais conhecida, Xarém. Para mim serão sempre Papas de milho, pois foi por este nome que sempre as conheci e têm um sabor um pouco diferente do Xarém que provei em restaurantes. Na verdade estas diferenças devem-se ao facto de, apesar de ser um prato tipicamente algarvio, ser preparado nesta região de diferentes formas e recorrendo a diferentes ingredientes.
Tendo como ingrediente principal a farinha de milho, a receita passa de geração em geração.
Apesar de simples, este é prato reconfortante, não só para o estômago como para o espírito. Associo-o essencialmente à família e isso faz-me sentir bem.
Para além de satisfazer uma necessidade fisiológica, uma vez que a fome já se fazia sentir, esta refeição constituiu para mim um momento de prazer, associado não só a um prato “tradicional” como também a uma refeição realizada no conforto do lar na companhia da família."

03 fevereiro, 2014

Quando cozinhar é mais que um sonho

Encontrei no blog do restaurante brasileiro Maní Manioca um fabuloso texto de Fernanda Valdívia que não pude deixar de partilhar...


"Tem alguma coisa subjetiva sim, que brota num instante incontrolável, de forma menos racional ainda, se desenrola por meios instáveis e consegue chegar vitorioso do outro lado. O momento em que um cozinheiro se depara pela primeira vez com uma ideia, e dias depois, o momento em que o cliente se depara com essa mesma ideia em um prato, são cúmplices de sentimento. Estava lá um cozinheiro sentado ao pé da janela, dia frio, dia de folga, pernas doloridas descansando sob uma xícara de chá entre as mãos. Cozinhar é encontrar-se com si próprio, em silêncio. “É preciso estar presente naquilo que faz, sabe? Na cozinha, a presença é a diferença. Se você está, sai um prato, se não está, sai completamente outra coisa, do mesmo prato” Helena.
Havia um sabor destacado no serviço da noite anterior, guardado na memória para ser explorado no dia seguinte, um sabor danado que coçava a língua logo cedo ao despertar. Havia uma manhã inteira estendendo um tapete felpudo de reflexão onde se rolar com esse sabor. “Com abóbora? Não sei se tão doce assim, talvez mandioquinha. Coentro cairia bem. Chega de reduções, chega de manuseio. Um frescor, um pouco de brasa e limão.” A inquietação, o vulto do destino na ebulição do pensamento e o prazer do caminho, disfarçado na angústia de descobri-lo. É um segredo que o cozinheiro leva com ele por dias, e se diverte tentando reconhece-lo em pedaços da rotina, marcha um prato que leva tapioca, experimenta uma colherada do que sobrou na panela, associa ao seu segredo e reformula o caminho. Até que finalmente o bicho vai ganhando forma, começa a aparecer em testes, vai devolvendo o resultado da explosão entre ideia e matéria de forma ainda mais inédita. E a execução, levada à exaustão, se consolida. Entra para o cardápio, é desmembrada e distribuída pelos cozinheiros, ganha vida própria e apelido na cozinha, “marcha moqueca!”, e pela primeira vez desbrava o salão.
O cozinheiro espia da boqueta para acompanhar a reação e reza para ser alguém disposto a receber um sonho. O restaurante não é feito de sonhos, muito menos de sonhadores, mas a criação se alimenta desses encontros lúdicos. A conversa se interrompe, o casal observa o prato, levam o garfo à boca, mastigam alguns segundos e se olham sobressaltados. O cozinheiro sorri de dentro da cozinha vitorioso por ver seu momento de intimidade devidamente representado naquele prato. É o único a entender o que significa aquele olhar curioso. Como se um escritor pudesse presenciar o deleite de seu leitor no instante justo, e pagasse o preço de ver seu livro se dissolver em saliva."