08 janeiro, 2015

Brewing Beer

É verdade que a cerveja artesanal está na moda.
É também verdade que não sou grande fã de cerveja em geral mas como curiosa, são várias as cervejas artesanais que experimentei, desde as portuguesas Sovina e Letra às catalãs Montseny ou Edge. Algumas apresentam mesmo peculiaridades interessantes como a Er Boquerón feita com água do mar.
É claro que a minha curiosidade aumenta consideravelmente com a ideia de provar uma cerveja artesanal feita por mim.
Conheci em Barcelona a Family Brew Beer, uma empresa que criou um kit para curiosos, como eu, que tem (quase) tudo para que qualquer um possa fazer a sua própria cerveja artesanal em casa.
Com este kit a tarefa fica por si só já facilitada, pois segundo os fundadores da empresa "se sabes cozer um ovo, sabes fazer cerveja". No entanto, o atendimento na loja é óptimo e tudo é explicado ao mais ínfimo pormenor para que ao fim de 28 dias se possa degustar uma boa cerveja homemade.
Das diversas variedades e misturas disponíveis optei pela edição limitada de Natal, feita com adição das especiarias canela, cravinho, noz moscada e gengibre. 
A tarefa é divertida e as primeiras 4 horas de preparação passam rapidamente. Ao fim de 14 dias é tempo de engarrafar e esperar mais 14 dias até ao dia da prova.
Apesar do tema e dos sabores e aromas a lembrar a época natalícia a minha primeira cerveja não chegou a tempo do Natal e encontra-se ainda em processo de fermentação na garrafa. 
A ideia é muito interessante e original, tudo está muito bem pensado. Com a primeira quase terminada já penso qual será a próxima de entre as várias variedades de misturas de malte que se podem adquirir em separado.
 

28 dezembro, 2014

Film & Cook

A cozinha é um tema que suscita cada vez mais o interesse do público em geral e são variados os eventos que a têm por base.
Actualmente são também muitos os filmes realizados sobre temas relacionados com a cozinha.
Porque não explorar esta ligação e juntá-los num evento?

Na sua quarta edição, depois de Madrid, o Festival de Cinema e Gastronomia chegou a Barcelona. Com uma programação que abrangia filmes, curtas-metragens e showcookings de grandes nomes da cozinha espanhola e mexicana uma vez que o México foi o país convidado desta edição.
Todas as projecções tinham a cozinha como pano de fundo.
Optei por visitar o festival no seu primeiro dia, escolha feita apenas com base na apresentação de cozinha que esteve a cargo do Chef Paco Pérez (Restaurante Miramar) que se seguiu ao filme catalão "Cuinant", um filme que retrata as relações amorosas através da cozinha. Filme este que viria a ser o vencedor do prémio La Vanguardia com base na votação do público.
Durante o showcooking que se seguiu, o Chef apresentou o seu restaurante e o menu de Outono. Deu grande enfoque à utilização de produtos da região e da temporada e em pouco tempo explicou a constituição de um prato do menu com pequenas elaborações complexas.

Fora da sala de cinema esperava um mercado gourmet com produtos de marcas nacionais e internacionais.
Apesar do meu gosto ter recaído apenas sobre o showcooking foi de facto uma sinergia que resultou pela originalidade e inovação do evento.

19 novembro, 2014

Em dia de Estrelas

Em qualquer grande cidade é comum que os Chefs galardoados com estrela Michelin no seu restaurante principal iniciem negócios paralelos como restaurantes ou bares de cozinha mais simples (mas não de menor qualidade) acessíveis a um maior número de pessoas.
As ofertas a este nível são cada vez mais inovadoras, não fosse este um mercado já com elevada concorrência.
Em Lisboa são exemplo disso os vários restaurantes de José Avillez no Chiado.

Em Barcelona o número de casos é maior também pela concentração de restaurantes galardoados.
Recentemente visitei o recentemente inaugurado Matisbar, restaurante de tapas do Chef Artur Martinez (Restaurante Capritx em Terrassa, Barcelona). 
O restaurante tem uma localização muito peculiar, no Colégio de Arquitectos em frente à Catedral em pleno centro da cidade. Num registo muito informal e diferente, com uma cozinha aberta à sala, oferece uma carta com tapas catalanas elaboradas com produtos da zona e da época. Evitam-se, no entanto, as típicas "patatas bravas" ou as "croquetas" já completamente banalizadas por todo o país.


A oferta, a preços bem acessíveis, é muito original. Provei, de pratos frios, o "Bombom de queijo e tomate", o "Pincho de bonito e alho negro", a "Pita de bacalhau, iogurte e endro", a "Salada de frango em escabeche" e de pratos quentes a "Cavala com limão, salva e alcaparras".

Têm ainda uma "barra" de queijos e enchidos que fazem a opção ideal para uma petisco ao final do dia.
As sobremesas, tal como toda a carta, são também bem elaboradas e mais uma vez fugindo ao típico disponível em todos os bares de tapas. Pedi o "Flan com nata" e a "Sopa de limão, ananás, marmelada e rosas" e não me arrependi.
Um espaço a voltar certamente pois ficou a vontade de provar as restantes opções da carta.

11 novembro, 2014

A peso

Comprar alimentos secos a peso volta a entrar nos hábitos. 
Com o desenvolvimento e proliferação de lojas "a peso", esta prática volta a ser comum devido a uma oferta de qualidade cada vez mais variada (cereais, leguminosas, cafés, chás, especiarias, arrozes, massas e muito mais) a preços convidativos.

Em Barcelona o número de lojas tem vindo a crescer e comprar a peso voltou a estar na moda. Algumas mantêm-se como antigamente, com os produtos armazenados em sacos ou frascos enquanto outras apostam em designs mais modernos, algumas em modelo self-service, apostando a maioria numa grande oferta de produtos biológicos e locais, aos quais damos cada vez mais importância.

Al Gra (Sant Cristòfol, 17)

Graneria Sala (Travessera de Gràcia, 137)               
Granel (Calle Puigmartí, 11)
Há hábitos aos quais é bom voltar e este é um deles, pois para além da utilidade destas lojas promove-se uma compra mais responsável e sustentável, onde a venda pode ser mais personalizada.

25 outubro, 2014

Eat Street

Street food é um tema cada vez mais na moda nas ruas de Barcelona e multiplicam-se os eventos que atraem negócios como os food trucks e a comida do mundo.
Eat Street é um deles. Com entrada gratuita, a última edição realizou-se na Plaça de les Glòries e foi a primeira 100% de rua.
Alguns food trucks são já conhecidos pela sua presença assídua nestes eventos como é o caso de Caravan Made (sandwiches com ingredientes da época) ou o californiano Eureka.



Para além destes dois exemplos muitas foram as bancas que estiveram presentes apresentando comida mexicana, japonesa, italiana ou argentina. 
Nem os pastéis de nata portugueses faltaram pela mão dos cafés Coffee Craft.

Um evento de um dia que juntou comida de rua com música e muita animação, muito bem recebido e com uma adesão muito forte à semelhança do mercado de food trucks realizado pelas festas da cidade (Van Van Mercat). Destacou-se a variedade e qualidade da oferta a preços bem acessíveis, onde cada prato não ia além dos 5 Euros.

22 outubro, 2014

Para inovar é preciso desaprender?

Como é que os Chefs buscam a excelência?...Continua a ser possível inovar na cozinha?

Dizia Joan Roca em "Diálogos culinários de vanguarda" no Mercat de Mercats em Barcelona, que para se inovar na cozinha é preciso desaprender. É preciso libertar a mente de culturas e ideias enraizadas e procurar algo novo, é preciso fechar os olhos e experimentar.
Nestes mesmos diálogos Quique Dacosta dizia que quando está em processo criativo chega mesmo a proibir-se de utilizar determinadas técnicas e/ou produtos.

Ambos os Chefs, dois grandes nomes da cozinha a nível mundial, defendem uma cozinha com base em produtos do ambiente em que estão inseridos e da época. Afirmam que a experiência gastronómica é alcançada não só com a refeição num restaurante, como também com a visita do ambiente em que está integrado. É preciso conhecer o local, aprender minimamente sobre a sua história e produtos para entender os pratos e a refeição.

Outro ponto debatido nos diálogos foi a utilização da ciência na cozinha. Esta não deve ser um ponto de partida mas sim uma ajuda para a inovação. O ponto de partida são os produtos, as vivências e as memórias. O papel da ciência na cozinha é o de permitir e facilitar que se atinjam objectivos, é o meio de traduzir técnicas e perceber processos.

Também na recente curta-metragem do 3 estrelas Michelin DiverXo com David Muñoz e a sua equipa, a inovação e o vanguardismo na cozinha estão presentes como tema central do extraordinário XOw. 
Esta é uma abordagem sobre todas as sensações que o Chef e a sua equipa procuram passar para todos aqueles que se atreverem a degustar a sua cozinha, é o resultado da forte intenção de inovar. O vídeo conclui-se com a alternativa Vanguardia o morir.

 
Vídeo completo em Food4Inspiration

10 outubro, 2014

Hotel ou padaria?

Suscita-se a dúvida quando passamos pelo número 279 da Calle Provença, mesmo ao lado do Passeig de Gracia e a poucos metros da La Pedrera.
Praktik Hotels, uma cadeia hoteleira com hotéis em Barcelona e Madrid, abriu este ano o Praktik Hotel Bakery, um hotel que agrega uma padaria gerida pelo forno Baluard propriedade de Anna Bellsolá.
Com a padaria mesmo à entrada do edifício, a ideia é, não só servir os clientes do hotel como abrir as suas portas a todos os que queiram provar as especialidades aqui produzidas de padaria e pastelaria.


E porque um hotel não tem que ser apenas um hotel, este mês está prevista a abertura de mais um Praktik, este com os vinhos como tema.

Praktik Hotel Bakery
Carrer Provença 279, Barcelona